quarta-feira, 30 de março de 2016
Retalhos da memória
A guerra – qualquer guerra – inscreve-se profundamente e de modo indelével nos que a ela sobreviveram, gerando o conhecido stress pós traumático de guerra que tantas perturbações origina pela vida fora. Muitos encontram conforto nos fármacos e também na psicanálise. Outros, mais felizes, se de felicidade se pode falar num quadro destes, conseguem exorcizar aqueles fantasmas, convivendo com eles, controlando-os, descrevendo-os, descarregando-os para o papel.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Meu velho Amigo e Camarada de armas partiu.
Sozinho chorei, meu velho camarada
Não foi possível de te dar aquele abraço.
Ficarás para sempre na minha história.
Para sempre com saudades…
Recordando o passado: os tempos maus, e os bons
Compartilhamos com os nossos
Camaradas momentos negativos
Momentos lindos!
Na guerra é mesmo assim!?
Obrigado Amigo
Pela tua afeição
Pelo teu carinho
Pela tua amizade
Nos momentos difíceis.
Para nós a guerra acabou!?
Seguimos caminhos diferentes
Vivemos nossas próprias vidas
Realizamos os nossos sonhos
Sempre perto nas derrotas
E vitórias da vida
Torcendo por uma vida melhor, para nós.
Tu na PSP, eu na emigração.
Meu amigo e camarada,
Meu amigo para sempre!
Que descanses para sempre em paz;
Amem
Carlos J. Pombo
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Homenagem aos Meus Camarada
![]() |
Para o passado
Meus camaradas ...
E as nossas missões.
Uma vida de luta e de riso
Alguma lágrima corriam
As saudades estavam
Nos nossos Corações,
Eramos uma elite
Nossa expressão incontrolada
A sorte, é voltamos
Á nossa terra natal
Lutar pela Pátria
Nossa sina Uma mão cheia de nada!
Despejados pelos cantos de Portugal
E o mundo à cabeceira
Nas nossas missões!
Dos meus camaradas
Nunca me esqueci!
Eram o meu pilar!
Assim foram os meus camaradas
Aqueles que nunca morrem.
Os que
tombaram descacem em Paz
Nunca
me esqueci dos que tombaram
Nunca me esqueci que Tudo muda,
Tudo está ao avesso.
Já não usamos aquela farda.
Já não andamos
mais em viatura blindadas,
Já não
participamos nas operações,
Nem de ações
psicológicas
cívicas sociais,
Nem o som dos jatos,
do bumbo tudo o que é militar.
Já não prestamos
continência, a ninguém.
Uma vez, eu derramei lágrimas
Por aqueles que tombaram
Talvez seja
complicado para muitos
Camaras e
para sociedade civil entender.
Mas ser militar é muito mais
Que ter um emprego.
É ter uma família! Um por,
Todos e todos por um
São lições de vida e amizades.
É compartilhar os nossos valores
É companheirismo,
Cumplicidade, camaradagem.
A única coisa que hoje me falta
É aquele o trabalho de equipa
Nunca gostei de guerrasO tempo passou agradeço
A todos eles de estar hoje vivo
Agradeço a todos eles,
eles protegeram-me
Assim como eu a eles
Eles foram o meu pilar
Eu também
fiz parte do pilar deles!
Todos os dias
em pensamento agradeço
a todos eles pela
proteção que me davam.
Conquistas diárias.
De fora da guerra
Fui muito feliz com
os meus camaradas!
Contudo, sinto
saudade somente deles
Aos meus camaradas
meu reconhecimento,
do,
BCE. 357 De intervenção,
acima de tudo deles!
Carlos J. Pombo
Meu eterno respeito
sábado, 30 de maio de 2015
Apresentação

Este livro conta a minha história de vida, porque senti-me um pouco perseguido pelas memórias do passado e pelos traumas da sociedade e pela guerra colonial.São Momentos difíceis da minha vida de criança e de jovem.Hoje valorizo muito os meus pais porque reconheço que as suas vidas também não foram nada fáceis.Um ser humano não veio ao mundo para levar com o peso da família, da sociedade e ser utilizado, carne para canhão, mas sim com o objetivo de ser amado respeitado.Sem esta história, este livro não seria possível de ser realizado. Por vezes surpreende-me como alguns seres humanos consegue ultrapassar todas as barreiras da vida.Eu foi um deles, fui subido degrau a degrau, nós seres humanos somos uma criação surpreendente.Meu livro existe para revelar o que esta escondido por detrás vida. Milhares tombaram ao lado dos meus camaradas, mas eu não cai!A fé, auto estima, acreditar, sofrer chorar e lutar sempre foi o meu lema. Sofrer até á exaustão, para não morrer. Mas sim Vencer!Foi o que eu aprendi nas forças de intervençãoQuantas vezes dou por mim recordado o passado, a sorrir ou a chorar, são recordações que me deixaram marcas na minha alma.Estou neste milénio, eu venci e continuarei a vencer, para conforta a meu espirito…São memórias duma, vida sofrida mas eu venci
Meus passos ficaram para trás, posso Olhar para trás... Mas eu vou com o sentido de seguir em frente, pois há muita gente que precisa que eu chegue para poderem-me seguir; meus irmãos parentes espalhados pelo mundo e amigos e outros maisMuito obrigado pela vossa atenção, Obrigado
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Foram voluntários à força. Agora, mais do que nunca, precisam que lhes dediquem tempo. Nem que seja para os ouvir resmungar. Mas de preferência para os fazer sorrir
Tudo normal. De cima a baixo. Cabelos brancos, olhos azul do céu, sorriso maroto e andar desembaraçado. Aparentemente. A perna direita é uma prótese. Das melhores que se fazem no mundo, "quer ver?" Esta é uma coisa que fica, como se não vendo, não tocando com as mãos, fosse impossível acreditar que é real. "Mandaram-me para lá puto e fiquei assim, agora têm de me pagar o melhor, não é?"
O melhor, no caso de Carlos Noivo, é feito em Hamburgo e "custa o preço de um Audi". Próteses a que só alguns têm direito, muito poucos, dependendo do grau de deficiência atribuído pela Junta Militar, mais do que da barbárie da sua história. No início era a própria Alemanha que pagava para receber estes amputados e aperfeiçoar uma indústria na qual é mestre, fruto de tantas guerras. Hoje é o Ministério da Defesa que paga a conta.
A guerra terminou há mais de 40 anos, mas para estes soldados a vida é uma eterna batalha. E um homem não chora, pelo menos os de antigamente. Fazem voz grossa, dizem que matam e esfolam, mas são uns corações de manteiga. Desde que não se pressione o gatilho. E o gatilho sabe Deus o que poderá ser. Há os que têm golpes visíveis, escondidos debaixo da roupa ou por trás dos óculos. E os stressados pós-traumáticos, sem uma cicatriz na pele mas desfeitos por dentro. Num e noutro caso quase sempre preferem sofrer em silêncio porque falar é pôr o dedo na ferida e a ferida precisa de sarar, tem de sarar.
São 13 mil só na Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA). E não estão lá todos. Estima-se que tenham ficado 30 mil feridos em combate. E mais 40 a 50 mil homens afectados por stresse de guerra. Tantas décadas depois continuam a chegar à instituição processos e pedidos de ajuda para qualificar combatentes da guerra colonial como deficientes das Forças Armadas. Gente à procura de uma pensão, de uma vida mais digna, se não para si, pelo menos para os seus. O Estado atrasa-se na qualificação e as indemnizações materiais teimam em não chegar. Há casos em que as compensações são atribuídas a título póstumo.
A geração que fechou o Império tem hoje uma média de 67 anos. Já não são miúdos e carregam, além da limitação física, o peso da idade. Com os anos, há combates que o corpo já não consegue travar. O desporto, que era um dos pontos de união, foi substituído pela sesta. Hoje, "muitos ficam em casa", conta o senhor Janeiro, responsável pela delegação de Lisboa. Esta é agora a maior dificuldade: "Fazê-los sair à rua é uma luta." As mulheres, muitas delas ex-enfermeiras, são as suas cuidadoras. Mas estão também a precisar que tomem conta delas. Casas fartas: eles delas, elas deles. Vale-lhes o sentido de humor. Negro, é certo, para exorcizar raivas antigas. E contemporâneas também.
Não é para menos, a realidade é desconcertante: um grupo de ex-combatentes deficientes das Forças Armadas - cegos, paraplégicos, tetraplégicos, amputados - organizou um dia de festa, com piquenique e passeata pela marginal. Enquanto, cá de cima, alguns contemplavam o mar, perto da Parede, concelho de Cascais, passou de carro um presidente de câmara. Pouco depois chegou alguém a pedir para retirar o grupo do local. Porquê? "O senhor presidente diz que dá mau aspecto para o turismo."
Estes militares também preferiam ter o aspecto de pessoas absolutamente normais. "Eu queria mostrar os meus olhos. Não queria andar de óculos escuros", lamentava-se dois dias depois desta conversa o presidente nacional da ADFA, José Arruda. Além de cego dos dois olhos, ficou sem um braço num acidente com uma granada. A última coisa que se lembra de ter visto com olhos foi "uma carta cor-de-rosa" que levava consigo para onde quer que fosse, escrita pela sua namorada, hoje mulher e mãe dos seus dois filhos.
Arruda vai interrompendo a conversa para dizer que não quer falar de si, prefere falar da instituição. "Parecemos todos mal humorados", diz. "Empurraram-nos para a guerra, agora precisamos de atenção." As necessidades destes ex-soldados não são iguais, mas há uma comum a todos: precisam de não ser esquecidos.
O presidente da ADFA (que tem 12 delegações, incluindo Madeira e Açores), sabe isso melhor que ninguém e quer estar em todo o lado, fazer lóbi. "É importante porque quem decide é o poder." E é esta a via sacra dos veteranos, fazer- -se lembrar. Dentro de meia hora estará com o ex-Presidente da República general Ramalho Eanes e entretanto já se certificou de que uma coroa de flores em nome da associação chegará à viúva do almirante Vítor Crespo, que faleceu hoje.
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/deficientes-guerra-realidade-alguns-preferiam-esconder/pag/-1
O melhor, no caso de Carlos Noivo, é feito em Hamburgo e "custa o preço de um Audi". Próteses a que só alguns têm direito, muito poucos, dependendo do grau de deficiência atribuído pela Junta Militar, mais do que da barbárie da sua história. No início era a própria Alemanha que pagava para receber estes amputados e aperfeiçoar uma indústria na qual é mestre, fruto de tantas guerras. Hoje é o Ministério da Defesa que paga a conta.
A guerra terminou há mais de 40 anos, mas para estes soldados a vida é uma eterna batalha. E um homem não chora, pelo menos os de antigamente. Fazem voz grossa, dizem que matam e esfolam, mas são uns corações de manteiga. Desde que não se pressione o gatilho. E o gatilho sabe Deus o que poderá ser. Há os que têm golpes visíveis, escondidos debaixo da roupa ou por trás dos óculos. E os stressados pós-traumáticos, sem uma cicatriz na pele mas desfeitos por dentro. Num e noutro caso quase sempre preferem sofrer em silêncio porque falar é pôr o dedo na ferida e a ferida precisa de sarar, tem de sarar.
São 13 mil só na Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA). E não estão lá todos. Estima-se que tenham ficado 30 mil feridos em combate. E mais 40 a 50 mil homens afectados por stresse de guerra. Tantas décadas depois continuam a chegar à instituição processos e pedidos de ajuda para qualificar combatentes da guerra colonial como deficientes das Forças Armadas. Gente à procura de uma pensão, de uma vida mais digna, se não para si, pelo menos para os seus. O Estado atrasa-se na qualificação e as indemnizações materiais teimam em não chegar. Há casos em que as compensações são atribuídas a título póstumo.
A geração que fechou o Império tem hoje uma média de 67 anos. Já não são miúdos e carregam, além da limitação física, o peso da idade. Com os anos, há combates que o corpo já não consegue travar. O desporto, que era um dos pontos de união, foi substituído pela sesta. Hoje, "muitos ficam em casa", conta o senhor Janeiro, responsável pela delegação de Lisboa. Esta é agora a maior dificuldade: "Fazê-los sair à rua é uma luta." As mulheres, muitas delas ex-enfermeiras, são as suas cuidadoras. Mas estão também a precisar que tomem conta delas. Casas fartas: eles delas, elas deles. Vale-lhes o sentido de humor. Negro, é certo, para exorcizar raivas antigas. E contemporâneas também.
Não é para menos, a realidade é desconcertante: um grupo de ex-combatentes deficientes das Forças Armadas - cegos, paraplégicos, tetraplégicos, amputados - organizou um dia de festa, com piquenique e passeata pela marginal. Enquanto, cá de cima, alguns contemplavam o mar, perto da Parede, concelho de Cascais, passou de carro um presidente de câmara. Pouco depois chegou alguém a pedir para retirar o grupo do local. Porquê? "O senhor presidente diz que dá mau aspecto para o turismo."
Estes militares também preferiam ter o aspecto de pessoas absolutamente normais. "Eu queria mostrar os meus olhos. Não queria andar de óculos escuros", lamentava-se dois dias depois desta conversa o presidente nacional da ADFA, José Arruda. Além de cego dos dois olhos, ficou sem um braço num acidente com uma granada. A última coisa que se lembra de ter visto com olhos foi "uma carta cor-de-rosa" que levava consigo para onde quer que fosse, escrita pela sua namorada, hoje mulher e mãe dos seus dois filhos.
Arruda vai interrompendo a conversa para dizer que não quer falar de si, prefere falar da instituição. "Parecemos todos mal humorados", diz. "Empurraram-nos para a guerra, agora precisamos de atenção." As necessidades destes ex-soldados não são iguais, mas há uma comum a todos: precisam de não ser esquecidos.
O presidente da ADFA (que tem 12 delegações, incluindo Madeira e Açores), sabe isso melhor que ninguém e quer estar em todo o lado, fazer lóbi. "É importante porque quem decide é o poder." E é esta a via sacra dos veteranos, fazer- -se lembrar. Dentro de meia hora estará com o ex-Presidente da República general Ramalho Eanes e entretanto já se certificou de que uma coroa de flores em nome da associação chegará à viúva do almirante Vítor Crespo, que faleceu hoje.
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/deficientes-guerra-realidade-alguns-preferiam-esconder/pag/-1
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