quarta-feira, 21 de março de 2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

  1. Uma merda dum papel para eu pregar na parede, em vez de nos dar as medalhas a cada um dos soldados, que lutamos com unhas e dentes, condecoraram o Batalhão com cinco companhias, perto de mil homens, Porquê!?...  Ficava muito caro. Pedissem ajuda aos grandes monopólios do petróleo e dos diamantes...  medalhas cruz de guerra e palma. Medalhas mas para quê outra merda, que não me valoriza mesmo nada! para mim nada disso tem nenhum valor. Porque fomos traumatizados, despejados pelos cantos de Portugal. Estávamos na pior zona de Guerra. os nossos carros eram todos blindado

















domingo, 20 de agosto de 2017

Batalhão de Caçadores 5, em Campolide, Lisboa,

A 3 de Julho de 1960 fui alistado e fui incorporado a 22 de Agosto de 1961, no Batalhão de Caçadores 5, em Campolide, Lisboa, no último Batalhão de Caçadores Especiais 357 com cinco companhias, tropas de intervenção. Seguiu-se mais ou menos oito meses de preparação militar que foi  puxada, e a 28 de Abril de 1962, fazia parte da Companhia de Caçadores Especiais 307 do B.C.E. 357, embarquei em Lisboa, com destino à Ex-colónia ultramarina de Angola e desembarquei em Luanda, a 12 de Maio no mesmo ano. ( 19 de maio fiz 20 anos ). Luanda, cidade de encanto, linda! A terra parecia que se ria, um céu azul claro, mas um calor insuportável. O meu coração batia aceleradamente, pois não sabia o que me esperava. Entrei num mundo desconhecido, onde encontrei encanto e lindeza, como as rosas… mas que também têm espinhos! Dia 29, estou no Campo do Grafanil. Só barracas, não de madeira, de lona, tendas de campanha. Uma linda noite, o céu bem iluminado de estrelas e a lua bastante brilhante, mas… com o calor terrível, os mosquitos malditos não me largam. O Campo de Grafanil ficava numa área vedada com arame farpado. Uma semana depois calhou-me ficar de sentinela. Este sítio à noite era como se fosse desconhecido, um silêncio como eu nunca tinha visto, que me enervava e fazia o meu o meu coração bater como um ‘cavalo em corrida’. Só queria que corresse tudo bem e que não fosse obrigado a matar. Às duas da manhã comecei ouvir ruídos. Baixei-me um pouco mais que a superfície do capim, os meus olhos brilhavam e o meu corarão estava triste. Os ruídos cada vez se aproximavam mais e eu virei-me para uma casa onde estavam a dormir os soldados angolanos e, de repente, por trás de mim, um ruído mais próximo. Com uma rapidez louca virei-me para trás, fiz fogo instintivo, de rajada, com uma espingarda automática FM… quando deixei de dar fogo ouvi novamente ruídos, mas agora de quem ia a fugir… abri fogo novamente, mas o meu objetivo não era matar alguém, era só para assustar. Apareceu um furriel, com um pelotão, num Unimog e perguntou: - O que foi? Contei-lhe o que se tinha passado. Foram fazer uma batida e passado meia hora soube que era uma pequena manada de porcos mansos, que pertencia ao Campo do Grafanil. Como eu estava num ponto mais alto que o recinto onde estavam montadas as barracas de campanha, onde dentro de uma delas onde dormiam os oficiais, as rajadas passaram por cima e cortaram o mastro de madeira que segurava, ao meio, a tenda do tenente-coronel, comandante do batalhão. Quando os meus colegas me contaram, foi de rir até não poder mais, pois ele fugiu cá para fora muito aflito, e em cuecas! Passado um mês formou-se o comboio de viaturas militares da minha companhia, e saímos do Grafanil pela manhã, com destino ao norte. A viagem foi tão longa que perdi a contagem dos dias. Era o cansaço, o não dormir bem, os mosquitos que nos envenenavam, e o medo do perigo neste país bonito, mas desconhecido para todos e cheio de surpresas. As estradas? Horríveis e esses malditos carros alemães, de marca Unimog que saltam e baloiçam que até faz revoltar os intestinos. Passei por selva linda, uma natureza que dava gosto de apreciar, mas, na verdade, se o homem for louco torna-se num inferno. Chegámos a Maquela do Zombo e fizemos uma grande pausa… bem merecíamos. Fui comer a uma tasca, já estava farto de conservas e de sopa cozinha, em andamento. Falaram que o percurso era de 1500 km. Ao outro dia de manhã arrancámos com destino a uma sanzala destruída, sem viva alma, só o nome é que existia na cabeça dos homens. Entrámos numa zona perigosa e todos iam a prever o perigo, até que chegámos a um acampamento duma companhia do nosso batalhão, que já tinha arrancado primeiro de Luanda. O capitão da companhia da 304, mais desumano que eu conheci. Não houve soldado nenhum que não fosse maltratado e castigado com prisões e detenções. Houve um soldado que por cantar “ó trabalho vai-te embora”, foi castigado com 5 dias de prisão. Ouvi histórias de que alguns soldados, na confusão do combate, o tentaram abater, mas o desgraçado safou-se sempre. Depois partimos, até chegar a Coma, onde se instalou o nosso aquartelamento. Quando chegámos, encontrámos capim, arvoredo, cabanas destruídas, calor tropical e mosquitos, Começámos a construir casernas com blocos de terra, que eram feitos numa forma e depois eram secos ao sol, cozinhas, a secretaria, o posto de socorros, a padaria, armazéns, entre outros. Ah… e o arame farpado, a toda a volta do acampamento militar. Faltava a iluminação, interior e exterior do acampamento, claro. Talvez por saber alguma coisa que constava na minha ficha, o comandante perguntou se eu percebia de eletricidade. Acusei-me e disse: - Não
percebo… sou mesmo eletricista. Resultado, responsabilizou-me pela iluminação. Passados dois meses, começámos a construir uns torreões em cada canto do acampamento. Como eu era todo cheio de engenhocas, punha-me sempre a pensar sobre a eletricidade, com mira de me escapar às operações militares! Com uma óptica do farol de um carro, comecei por construir um projetor que colocava a luz a grande distância. Mostrei ao capitão, ele aprovou, e comecei a construir projetores por cima e entre os dois torreões.